domingo, 9 de fevereiro de 2014

mas aqui a Lua ainda e também brilha forte desde que o céu está claro,
os passarinhos, embora em menos quantidade e variedade, cantam e brincam, namoram e voam,
as crianças continuam fazendo bagunça
eu ainda tenho uma linda vista, cujo amarelado azedo se transforma em um laranja urbano, mas também bonito como têm de ser todos os movimentos de ir e vir do Sol e da Lua, tudo isso apesar do barulho chato e ineditamente ensurdecedor dos aviões que vão e vêm do aeroporto sobre as águas de uma baía que não tem H.

eu ainda espero meu amor, como a única certeza enquanto coloco o ano em dia,
plantando forças para aprender a lutar mais pelo que eu mesma quero.
Tudo isso depois de matar algumas das saudades que conquistei ao estar no lugar de onde agora sinto falta.
Não tem jeito, é a saudade.

Eu ainda tenho esses amigos, os quais eu insisto em ter conquistado ainda pouco em relação ao quanto eles já me conquistaram,
eu ainda tenho essa mãe e esse pai, a outra mãe e os outros pais (do meu violeiro, cuja família também vai se tornando cada vez mais minha).

o cotidiano sempre me foi agradável,
mas um pouco de sonho bom me invadiu e eu não queria e talvez não queira esvaziá-lo de dentro do meu espaço que às vezes parece um pouco oco.

aos poucos vou me recordando de que o amanhecer também é ensolarado como a paz deste sonho, e que o mesmo Sol que me iluminou nas piscinas e correntezas que são o paraíso da rainha que mora e é o próprio mar, aparece para me acordar todas as manhãs. Não o mesmo cheiro da arruda forte que lá encontrei e já antes, mas principalmente agora carrego comigo em minha pele; mas sim, o mesmo Sol: não é que há muitas semelhanças dentro de cotidianos tão diferentes? no final das contas, eu ainda estou dentro do mesmo corpo.

não tem jeito, é saudade

não sabia que não era só eu que estava acostumada a olhar um horizonte infinito, eram também meus próprios olhos, era minha alma, era meu coração batendo onde há muito ar entre nós o céu. Hoje eu não reaprendi a olhar para onde meus pensamentos encontram limites 10 metros a frente, prédios, ruas, fios, janelas, elevadores, apartamentos. nem mesmo os poucos quilômetros que separam meus olhos da praia de Icaraí, em Niterói. O amarelado do céu parece querer me fazer sentir o azedo da saudade eu não estou aqui eu ainda estou na Bahia.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Entre dia chuva e dia de sol desabrocha uma flor redesabrocha uma flor essa flor não sou eu é a força do mundo voltando a percorrer as veias que tanto tempo passaram vazias pelos descaminhos de um póstumo amor, em lamentar o passado em saudar o desacontecido agora, eu quero amar de novo agora, amando o que já conquistei, querendo agradecer a cada indivíduo que me inspira, cada samba cantando com dor, pela humildade de se saber errante em um mundo que pecar só pode ser não errar porque errar é aprender porque se existisse o certo, ele só estaria certo em saber que pode estar errado

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

sábado, 22 de outubro de 2011

Ela escreveu sobre mim.
Inesperadas coisas que eu não imaginava existir.
Ela escreveu sobre mim e seu ciúme até que me enaltece.
Afinal, uma pessoa como ela, sentir ciúmes de mim, me enaltece.
Não que ela tenha desconstruído na minha cabeça a imagem
de mulher pequena e superior. De mulher que busca aquilo tudo.
De mulher que sabe se cuidar e cuidar dos outros.
De mulher que pensa e faz. Em sua vida, a intelectualidade contracena com a sensualidade.
Ela chega, e tão magrinha, colorida, brilha o mundo. O cabelo dela transpira calor.
Sempre olhei pra ela e vi o exemplo.
Sempre olhei pra ela e quis mostrar o quanto a admiro.
Não que eu deixe de admirá-la pelo que escreveu sobre mim.
Aliás, passo a admirar mais o ciúme.
Ela sente ciúmes sim, e isso atropela todos os meus medos.
Uma mulher como ela sentir ciúmes mostra o quão humano ela é.
Mostra o quão lindo é o ciúme.
E se ela o sente, ele é até real.

sábado, 14 de maio de 2011

eu sei que você me lembra.
eu te lembro também.

nem meu, nem seu

o seu toque não é meu... nem seu.
suas mãos-vento caminham os pontos dos meus braços
ficou muito mais frio em teus braços
dizer te amo é como dizer adeus.
adeus que nem sei, nem sei porque olá.
nem sei porque já me deixei levar.
na verdade eu sei bem, mas não sei pra que provar!
não sei pra quem provar, não devo nada nem temo.
ou temo até por não dever.
é pouco dizer.