Solto pequenos trechos como se fossem complementares para boas histórias.
Nesta minha espera, não estou ansiosa, não olho o relogio de milésimos em milésimos de segundo;
nem estou ofegante com minhas palavras: as pontuo ( com ponto final) bastante.
Também não observo as pessoas, suas caras, suas roupas, tãopouco imagino suas vidas, como o de costume. Apenas observo, como se flutuante, os objetos. Estes que são maiores que eu. Sou muito menor do que esses objetos monumentais, como a Escola de Cinema Darcy Ribeiro e como os ônibus. Ônibus, carros, ônibus, carros. Buzinas. Um ônibus freia de repente e logo passa um carro vermelho.
(Mais uma história, um trecho complementar:) passa um motociclista com um buquê de flores, desviando dos ônibus e carros nesta chuvosa espera. Logo, imagino a cena descrita em um romance, o qual não tenho idéia do começo, do meio e nem do fim, e somente o complemento com este trecho que o autor escreve: um acidente trágico o deixa caído, morto, e misturadas com seu vermelho sangue, as rosas. Poéticas e crônicas histórias eu solto soltas de qualquer contexto.
Continuo a observar, e penso que seria normal vocês, leitores (até os imaginários), não terem idéia destes meus pensamentos, mas como tudo o que penso está automaticamente sendo datilografado para meu computador, é inevitável que possam ter conhecimento.
O taxi continua parado no mesmo lugar. Ah, agora me lembro que não havia mencionado o taxi que está, desde o início de minha espera desanciosa, parado a minha frente. Ele está atrapalhando o trânsito.
Pela primeira vez, um homem no ônibus não tem meu olhar desviado. Fito seus olhos, sem nenhuma atração. Simplismente o faço, como simplismente flutuo observadora.
Ao mesmo tempo que percebo que o taxi que está à espera de algo não é de companhia, os atores da peça que acabo de ver, mais a atriz 'global' pela qual uma conhecida minha é apaixonada, passam pela porta do CCBB, e páram ao meu lado. Conversam, e logo entram no taxi. Ao mesmo tempo, passam ônibus, e dentro deles estão pessoas que, como hipnotizadas, olham sua atriz de cabelo recém-cortado. Algumas ainda chamam suas amigas ao lado para vê-la
Não penso mais. Flutuo apenas. Sem a mínima vontade. Não quero ir, não quero ficar; portanto quero os dois.
Agora, o fim da minha espera: chega um fusca cor de pingado, que buzina, então entro no carro, e se segue uma conversa rotineira com minha mãe sobre nada.
sexta-feira, 4 de abril de 2008
quinta-feira, 27 de março de 2008
Não perguntar o que se passa dentro de nós é algo impossível. Do fundo dos rios tiro perguntas, e do alto do céu, lá de dentro do infinito tiro sentimentos; nada vai além de ti... porque estás em tudo... sem querer me pego pensando em tudo. Sou tola e admito... mas não quero que o vejas. Por isso não lhe puxo pelo braço e vomito as palavras, elas estão tão contidas em mim, que minha língua enrola, entro em convulsão, mas nada me sai, pois as aperto, para que me furem, e quero tirá-lo de mim, mas as pérolas do seu olhar me curam, e não sais daqui. Não. Não sei, mas talvez não queira saber o que se enrola por aí... deixo no mistério, digo que nunca mais, mas no fundo, é menos que palavra, segundo alguns... embora eu acredite, e finja que quero, sei mais que niguém que não quero... e sou hipócrita. estou em conflito aqui dentro e não há ninguém que vá me ajudar, talvez porque eu não queira.
domingo, 16 de março de 2008
prelúdio
hoje o dia acordou estranho... não chove, não faz sol, não faz frio e nem calor... no ar um peso, um peso leve, escondido, porém comentado... todos percebem a tensão no ar, mas ninguém ousa detoná-la. porque é uma angústia precisada no momento, algo da vida, algo do tempo... que não vai sumir por enquanto...e acelera o coração, emocionado, cheio de tristeza e dor.......
sexta-feira, 14 de março de 2008
crepúsculo
Nesta tarde sou uma caixa de surpresas da qual ninguém tem conhecimento. Meus sentimentos são fogos que explodem coloridos e escuros, por cada sonzinho que ouço... nesta tarde chuvosa e nublada, dentro de mim há um sol opaco, que me mostrou um dos caminhos que procurava, e é opaco porque é triste e maldoso com o coração... o coração que mora na minha alma. Nesta tarde tomo decisões e me afasto. Nesta tarde sou outra como nunca fui. Sou como não fui ontem, e também como não serei amanhã...
quarta-feira, 12 de março de 2008
meio meiotérmico
Às vezes me sinto tão meio termo que tenho vontade de pular do muro sem mesmo saber pra que lado vou cair. Não quero mais esse meio vazio o qual habito e vivo de hábitos. Quero cair desse ambiente num ambiente secreto maior do que terminal, que seja meu, cheio de mim, sem meio, só meu. Quero partilhar de ideiais com muitos e de idéias comigo mesma. Só me quero querer, cansei de não ser flor.
quinta-feira, 6 de março de 2008
Assinar:
Postagens (Atom)