domingo, 20 de março de 2011

Amo o futuro
e finjo que ele já faz parte de mim
amo o futuro e não quero mais que nenhum passado me venha acordar
amo o futuro e ele é meu marido
amo o futuro e odeio amar também o passado
odeio amar também o passado.
odeio querer estar naquilo que me fez sorrir,
já que o mundo sorri pra mim no futuro.
aquilo que parece ser tão tenebroso é o incrível do ser.
é o incrível de abrir para o que vier.
o quarto não é mais uma caixinha
apesar de todo o pensamento,
o quarto é o futuro do aconchego.
o futuro ajuda a pensar, o futuro nos faz querer.
o futuro é aquilo que nos espera, e aquilo pelo qual esperamos.
o passado é aquilo que sofremos, e aquilo que gozamos em cima.
gozamos em cima do passado,
mas secou, o passado secou.
e o futuro ainda está verde.
sou um escritor desiludido.
sou um escritor descriativo.
na mesa do quarto eu sento
na mesa do quarto eu penso
procuro as palavras
procuro as folhas
não há espaço para linhas
no vazio, só há vazio.
e o vazio ocupa todo este espaço.
sou recusado pelo espaço,
pelo traço.
não há diálogo nem monólogo.
não há saber nem ignorar.
não há drama nem felicidade.
amor não há.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Não quero fingir que querer escrever e conseguir são duas coisas que andam juntas.
nem quero fingir que escrevo bem ou que escrevo.
tem palavras que não existem mais, pensamentos na minha cabeça que não saem por outros canais.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Quando apanhei na caixa o seu livro, por um milésimo de segundo não abri o pacote.
O medo e o desejo: pois que pelo medo saberia que não mais dormia, devoraria.
O suspense em deixar-te esperar, sem mesmo que você soubesse ou sentisse essa espera.
Abri o pacote na ingenuidade de ler o que você teve pra dizer.
Pra quê? A vontade imensa de dizer me pegou pelo pescoço.
Não sei se me interessam as brechas ou não brechas. A efemeridade das coisas resulta apenas em respostas imediatas. Agora eu não sinto mais como há cinco minutos atrás. Agora eu sinto como se calu tivesse gostado de você e voltado só para que você pudesse conhecê-la.
Não tenho mais medo que as palavras fujam e não corro mais, portanto, em escrever.


Não quero escrever.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

faz tanto tempo que não tento
tirar um momento pro meu vento
que sai guiando-me palavras,
coisas que não vendo, não des-deixo-me atento, não falo lento, e nem não-invento.
coisas que só de falar
me deixam a par
sentir a gota gotear,
ou o mar ondular.
não gosto da rima, mas ela vem sem clima
quando a vontade, não mais que a vontade
faz a gente de bobo, como quem joga o jogo
de seguir em frente, como quem percebe o ventre
em fogo.
eu gosto de dizer, mas quem pode não querer
deixar em algum mundo
o olhar e o falar,
sobre aquilo que lhe toca, sobre aquilo que lhe aposta o amar e o respeitar.
é como se tudo aquilo que não cabe na palavra fosse ao menos tentável de dizer
difícil de querer aquele que não tem tempo, ou vento, ou cento
e um
mil
fases
faces
falhas.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

não sei exatamente onde está minha mente. esse lugar preto e branco onde escrevo é perfeito para incertezas...
não quero escrever nada, mas queria fotografar o que eu tô pensando...
não se pode fotografar

domingo, 2 de maio de 2010

caiu uma rima em cima de mim.